Hemingway – o simples e profundo velho do mar

“Velho. É o que sou. Quero tudo e nada quero. Posso? Permites-me tal ousadia? Subir a mais alta montanha, conhecer o algures e o nenhures; tocar o fundo de todos os mares e deitar-me com as estrelas e correr como o vento.” – Ernest Hemingway em: O Velho e o Mar


 The Old Man and the Sea

Ernest Hemingway

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Simon and Schuster, 09/08/201196 páginas

“O Velho e o Mar” é, a obra-prima da maturidade de E. Hemingway.

Santiago, um velho pescador cubano, debilitado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe.

o-velho-e-o-mar capa do livro
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Vai então guerrear, durante quatro dias, com um enorme espadarte.

Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, a capacidade do homem para ter sucesso frente aos dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente, uma das suas obras mais comoventes, e aquela que mais entusiasmo tem suscitado ao longo de mais de meio século mundo afora.
***

Apesar de muito experiente, Santiago encontra-se numa maré de azar, Já são 84 dias sem conseguir pescar um peixe.

Santiago possui um jovem amigo, chamado Manolin, que o incentiva a pescar.

Na manhã do 85º dia, na sua pequena canoa, ele consegue um peixe, de tamanho descomunal (aproximadamente cinco metros de comprimento e 700 kg).

O peixe oferece muita resistência, e arrasta a canoa de Santiago cada vez mais para alto mar. Ele sofre com o sol cegante de queimar o cérebro e o pensamento, e as feridas terríveis nas mãos, de tanto lutar com o peixe.

Depois de alguns dias, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa.

Porém, enquanto retornava a costa, sofre constantes ataques de tubarões.

Quando finalmente consegue chegar à praia, o peixe já estava sem carne, só restava a sua espinha, e Santiago estava sem forças.

Os outros pescadores, vendo o tamanho do peixe, o maior que alguém já havia pescado, respeitam e ajudam-no, especialmente o jovem Manolin, que gostava muito do velho.


Comentário

* Foi um dos melhores livros que eu já li.

Quão ricas são as sensações de humanidade que ele causa.

O mergulho no universo de um velho pescador, através de um diálogo que não poderia ser mais simples e direto, e uma narração que é belíssima e instigante, Hemingway nos faz lembrar de nossas próprias características humanas, nossa maneira complicada de tratar o mundo e seus compromissos, enfim, nos gera uma vontade enorme de nos questionar sobre nós mesmos, e nossos objetivos de vida.

E todo o episódio da luta de vida ou morte, entre o velho e o enorme peixe, naquele ambiente que nos deixa pequenos inevitavelmente, o mar, é talvez, o maior relato de honra e sobrevivência já feito. O respeito que o velho pescador demonstra  em relação ao enorme espadarte. entendendo sua briga pela própria vida …

Ler “O Velho e o Mar”, é prazeroso pela linguagem e pela história, mas acima de tudo, é uma catarse certa.

Paul Sampaio


Ernest Hemingway em 1958Ernest Miller Hemingway

(Oak Park, 21 de Julho de 1899 — Ketchum, 2 de Julho de 1961)

foi um escritor norte-americano.

Trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Esta experiência inspirou uma de suas maiores obras, Por Quem os Sinos Dobram. Ao fim da Segunda Guerra Mundial(1939-1945), se instalou em Cuba.

Em 1953, ganhou o prêmio Pulitzer, e, em 1954, ganhou o prêmio Nobel de Literatura.

Suicidou-se em Ketchum, em Idaho, em 1961.

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Citações

  • “O conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do vinho prazeres infinitos”.
with increasing knowledge and sensory education may derive infinite enjoyment from wine

Death in the Afternoon – Página 18, Ernest Hemingway – Simon and Schuster, 2002, ISBN 0743237145, 9780743237147, 400 páginas
  • “Nunca pense que a guerra, não importa quão necessária, nem quão justificável, não é um crime.”
Hemingway a bordo de seu iate por volta de 1950
Hemingway a bordo de seu iate por volta de 1950

Never think that war, no matter how necessary, nor how justified, is not a crime.

Ernest Hemingway, em carta de setembro de 1945; “Hemingway and the mechanism of fame: statements, public letters …‎ ” – Página 92, de Ernest Hemingway, Matthew Joseph Bruccoli, Judith Baughman – publicado por Univ of South Carolina Press, 2005, ISBN 1570035997, 9781570035999 – 145 páginas
  • “Se você obtém sucesso, terá sido sempre pelas razões erradas. Se você se torna popular, será sempre pelos piores aspectos do seu trabalho.”
If you have a success, you have it for the wrong reasons. If you become popular it is always because of the worst aspects of your work.

citado em “Evening games: tales of parents and children” – página 348, Alberto Manguel – C.N. Potter, 1987,ISBN 0517567377, 9780517567371 – 353 páginas


 

o velho e o marO Velho e o Mar

  • “Velho. É o que sou. Quero tudo e nada quero. Posso? Permites-me tal ousadia? Subir a mais alta montanha, conhecer o algures e o nenhures; tocar o fundo de todos os mares e deitar-me com as estrelas e correr como o vento.”
  • “É sempre assim. Morre-se. Não se compreende nada. Nunca se tem tempo de aprender. Envolvem-nos no jogo. Ensinam-nos as regras e à primeira falta matam-nos”
  • “Mas o homem não foi feito para a derrota — disse. — Um homem pode ser destruído, mas não derrotado.”
  • “Mas, quem sabe? Talvez hoje. Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então, se a sorte me sorrir, estou preparado.”
  • “Também o peixe é meu amigo. Nunca vi nem ouvi falar de um peixe assim. Mas tenho de o matar. Agrada-me pensar que não temos de matar as estrelas.”
  • «Ora imagina, que um homem devia todos os dias ver se matava a lua. A lua foge. Mas imagina que todos os dias teria de ver se matava o sol? Nascemos com muita sorte».
  • «A quantas pessoas dará de comer? Mas são elas dignas de o comer? Não, claro que não. Não há ninguém digno de o comer tal é o seu comportamento, a sua grande dignidade».
  • «Não compreendo estas coisas. Mas é bom que a gente não tenha de ver se mata o sol, a lua ou as estrelas. Basta vivermos no mar e matarmos os nossos irmãos»”.
  • «Mas pode tornar-se tão cruel e tão rapidamente, que aves assim, que voam, mergulhando no mar e caçando com as suas fracas e tristes vozes, são demasiado frágeis para o mar».

Mesa do escritor em Key West, na Flórida
Mesa do escritor em Key West, na Flórida

O Adeus às Armas

  • “A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes.”

Sobre

  • “A lealdade de Ernest era difícil de se conquistar e podia desaparecer com enorme facilidade”.
Anthony Burgess sobre Ernest Hemingway; citado em Revista Veja, Edição 1 659 – 26/7/2000


 

Atribuídas

  • “Somos todos aprendizes duma arte que nunca ninguém se torna mestre.”
We are all apprentices in a craft where no one ever becomes a master.

New York Journal-American (11 July 1961)
  • “Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca ouve.”
I like to listen. I have learned a great deal from listening carefully. Most people never listen

citado em How to speak with power – página 162, Stephen S. Price – McGraw-Hill, 1959 – 265 páginas
  • “Eu amo o sono. A minha vida tem tendência a tornar-se distante quando estou acordado, sabe?”
I love sleep. My life has a tendency to fall apart when I’m awake, you know?

citado em What’s Your Mood?: A Good Day, Bad Day, In-Between Day Book – página 174, Kimberly Potts – Adams Media, 2005, ISBN 1593372175, 9781593372170 – 176 páginas
  • O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade
    O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade

    “A felicidade, em pessoas inteligentes, é das coisas mais raras que conheço.”

Happiness in intelligent people is the rarest thing I know.

The Garden of Eden – Página 86, Ernest Hemingway – Simon and Schuster, 1995, ISBN 0684804522, 9780684804521 – 256 páginas
  • “A inflação é o primeiro remédio miraculoso do Estado mal administrado. O segundo é a guerra.”
The first panacea for a mismanaged nation is inflation of the currency; the second is war.

“Notes on the Next War: A Serious Topical Letter”, Esquire Publishing Company, 1935, 175 páginas
  • “A primeira panaceia de uma nação mal governada é a inflação monetária; a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária; ambas trazem uma ruína permanente. Ambas são o refúgio de políticos e economistas oportunistas”
The first panacea for a mismanaged nation is inflation of the currency; the second is war. Both bring a temporary prosperity; both bring a permanent ruin. Both are the refuge of political and economic opportunists.”

By-line: Ernest Hemingway: selected articles and dispatches of four decades: Volume 1968,Parte 2 – página 206, Ernest Hemingway, William White – Scribner, 1967 – 489 páginas
  • “O primeiro esboço de qualquer coisa é sempre uma merda.”
The first draft of anything is shit

citado em Hindsights: the wisdom and breakthroughs of remarkable people – página 1981, Guy Kawasaki – Beyond Words Pub., 1993, ISBN 0941831957, 9780941831956 – 300 páginas
  • “Toda a minha vida olhei para as palavras como se as estivesse a ver pela primeira vez.”
All my life I’ve looked at words as though I were seeing them for the first time.

Carta (9 de abril de 1945); publicado in Ernest Hemingway : Selected Letters 1917-1961 (1981) editado por Carlos Baker
  • “O meu objectivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira.”
MY aim is to put down on paper what I see and what I feel in the best and simplest way I can tell it

citado em Distilled wisdom – página 27, Alfred Armand Montapert – Prentice-Hall, 1964, ISBN 0960317406, 9780960317400 – 355 páginas
  • “Quando algumas pessoas ouvem um eco pensam que deram origem ao som.”
Some people when they hear an echo, think they originated the sound.

citado em My brother, Ernest Hemingway – página 177, Leicester Hemingway – World Pub. Co., 1962 – 283 páginas
  • “Todos os livros bons têm uma coisa em comum – são mais verdadeiros do que se acontecerem realmente.”
All good books have one thing in common – they are truer than if they had really happened

citado em Three bags full: essays in American fiction – página 62, Philip Young – Harcourt Brace Jovanovich, 1972, ISBN 0151901740, 9780151901746 – 231 páginas
  • “Se duas pessoas se amam uma à outra, não pode haver final feliz.”
If two people love each other there can be no happy end to it.

Death in the Afternoon – Página 100, Ernest Hemingway – Simon and Schuster, 1999, ISBN 068485922X, 9780684859224 – 400 páginas
  • “Sei que a noite não é o mesmo que o dia, que todas as coisas são diferentes, que as coisas da noite não podem ser explicadas no dia, e a noite pode ser um péssimo momento para as pessoas sozinhas, uma vez que a sua solidão já começou.”
I know that the night is not the same as the day: that all things are different, that the things of the night cannot be explained in the day, because they do not then exist, and the night can be a dreadful time for lonely people once their loneliness has started.

A Farewell to Arms – Página 226, Ernest Hemingway – Simon and Schuster, 1997, ISBN 0684837889, 9780684837888 – 304 páginas
  • “O mundo é um belo lugar e vale a pena lutar por ele e eu detesto muito deixá-lo.”
The world is a fine place and worth the fighting for and I hate very much to leave it.

For whom the bell tolls, Ernest Hemingway – Scribner, 1944 – 471 páginas
  • “Todo o homem termina a vida da mesma forma. Trata-se apenas pelos detalhes de como ele viveu e morreu para distinguir um homem de outro.”
Every man’s life ends the same way. It is only the details of how he lived and how he died that distinguish one man from another.

citado em Says who?: a guide to the quotations of the century – página 379, Jonathon Green – Longman, 1988, ISBN 0582893364, 9780582893368 – 857 páginas
  • “Sei apenas que o que é moral é o que faz depois você se sentir bem e o que é imoral é o que faz você se sentir mal.”
I know only that what is moral is what you feel good after and what is immoral is what you feel bad after

Death in the Afternoon – Página 13, Ernest Hemingway – Simon and Schuster, 1999, ISBN 068485922X, 9780684859224 – 400 páginas
  • “Nunca escreva sobre um lugar até que você esteja longe a partir dele, porque isso lhe dá a perspectiva.”
Never write about a place until you’re away from it, because that gives you perspective

citado em Travel Writing for Profit and Pleasure – página 132, Perry Garfinkel – New American Library, 1989, ISBN 0452261597, 9780452261594 – 208 páginas
  • “Nunca confunda movimento com acção.”
Never confuse movement with action

citado em The critical reaction to Hemingway in Germany, 1945-1965 – página 76, Wayne E. Kvam – University of Wisconsin–Madison, 1969 – 790 páginas
  • “Faça sempre lúcido o que você disse que faria bêbado. Isso o ensinará a manter sua boca fechada.”
Always do sober what you said you’d do drunk. That will teach you to keep your mouth shut.

citado em The Hemingway newsletter: publication of the Hemingway Society: Edições 1-40 – página 1, Hemingway Society (U.S.) – The Society, 1981
  • “Conhecer um homem e conhecer o que tem dentro da cabeça, são assuntos diferentes.”
Conocer a un hombre y saber lo que tiene en la cabeza son asuntos distintos.

citado em Teatro de La Gruta: Volume 4- página 110, Direccion General de Publicaciones del Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 2004,ISBN 9703506534, 9789703506538 – 363 páginas
  • “O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade.”
the secret of wisdom, power and knowledge is humility.

in: The twelfth anniversary Playboy reader – página 740, Hugh Marston Hefner – Playboy Press; distributed by Trident Press, 1965 – 874 páginas
  • “Um homem de caráter poderá ser destruído mas jamais derrotado.”
A man can be destroyed but not defeated.

The Old Man and the Sea (1952)
  • “O homem que começou a viver mais seriamente por dentro, começa a viver mais singelamente por fora.”
The man who has begun to live more seriously within begins to live more simply without.

citado em The American West: Volume 12 – página 63, Western History Association, Buffalo Bill Historical Center – American West Management Corp., 1975
  • “Para um autêntico escritor, cada livro deverá ser um novo começo com o qual tenta algo que está além do seu alcance”
For a true writer, each book should be a new beginning where he tries again for something that is beyond attainment.

citado em The American-Scandinavian review: Volume 43, Henry Goddard Leach, American-Scandinavian Foundation – American-Scandinavian Foundation., 1955
  • “O homem nunca deve se pôr em posição de perder o que não pode se dar ao luxo de perder.”
a man should never put himself in a position to lose what he cannot afford to lose.

citado em Why can’t men open up?: overcoming men’s fear of intimacy – página 55, Steven W. Naifeh, Gregory White Smith – C.N. Potter, 1984, ISBN 0517549964, 9780517549964 – 193 páginas


 fonte: wikiquote

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