Fiódor Dostoiévski – Escritor, Filósofo e Jornalista

“O inferno é não confiar.”

Fiódor Dostoiévski in: Os Irmãos Karamazov – capítulo 9

“Há na terra uma única ideia superior: a da imortalidade da alma humana, pois todas as outras idéias superiores de que o homem pode viver, nascem somente dessa ideia.”

Fiódor Dostoiévski, citado em “Cintilações”‎ – Página 11, Sabino Lino Conte – Editôra F.T.D., 1966 – 158 páginas

“Partindo de uma liberdade ilimitada chega-se a um despotismo sem limites.”

Выходя из безграничной свободы, я заключаю безграничным деспотизмом.Fiódor Dostoiévski; Полное собрание художественных произведений: : Volume 7 – página 329, Федор Достоевский – Государственное издательство, 1926

Retrato de Fiódor Dostoiévski (1872), por Vassilij Grigorovič Perov
Retrato de Fiódor Dostoiévski (1872), por Vassilij Grigorovič Perov

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski foi um escritor, filósofo e jornalista russo, considerado um dos maiores romancistas da história e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.[3][4] É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a “melhor proposta para existencialismo já escrita”.[5]

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de “romances de ideias”, pela retratação filosófica e atemporal dessas situações.[6] O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciados por suas ideias.[6]

Dostoiévski como engenheiro.
Dostoiévski como engenheiro.

Dostoiévski logrou atingir certo sucesso com seu primeiro romance, Gente Pobre, que foi imediatamente muito elogiado pelo poeta Nikolai Nekrássov[7] e por um dos mais importantes críticos da primeira metade do século XIX, Vissarion Belínski.[8] [9] Porém, o escritor não conseguiu repetir o sucesso até o retorno à Sibéria, quando escreveu o semibiográfico Recordações da Casa dos Mortos, sobre a prisão que sofrera. Posteriormente sua fama aumentaria, principalmente graças a Crime e Castigo.

Seu último romance, Os Irmãos Karamazov, foi considerado por Sigmund Freud como o melhor romance já escrito.[10] Perigoso, segundo Josef Stálin, até 1953 o currículo soviético para estudos universitários sobre o escritor o classificava como “expressão da ideologia reacionária burguesa individualista”. Segundo ele mesmo, seu mal era uma doença chamada consciência.[11] A obra de Dostoiévski exerce uma grande influência no romance moderno, legando a ele um estilo caótico, desordenado e que apresenta uma realidade alucinada.[11]

  • “É claro e evidente que o mal se insinua no homem mais profundamente do que supõem os médicos socialistas. Em nenhuma ordem social é possível escapar ao mal e mudar a alma humana: ela própria é a origem da aberração e do pecado.”

Зло таится в человечестве глубже, чем предполагают лекаря-социалисты, ни в каком устройстве общества не избегнете зла; ненормальность и грех исходит из самой души человеческой.Fiódor Dostoiévski; Полное собрание художественных произведений, Volume 12‎ – Página 210, Федор Достоевский – Государственное издательство, 1930

  • “Conhecemos um homem pelo seu riso. Se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.”

I may be mistaken but I fancy that one can know a man from his laugh, and if you like a man’s laugh before you know anything of him, you may confidently say that he is a good man.The house of the dead: a novel in two parts – página 36, Fyodor Dostoyevsky – The Macmillan Company, 1915 – 284 páginas

Dostoiévski com Valikhanov.
Dostoiévski com Valikhanov.

Notas do Subterrâneo ou Memórias do subsolo

  • “Mas é exatamente nesse frígido e repugnante semidesespero, nesta semicrença, neste consciente enterrar-se vivo, por aflição, no subsolo, por quarenta anos; nesta situação instransponível criada com esforço e, apesar de tudo, um tanto duvidosa, em toda esta peçonha dos desejos insatisfeitos que penetraram no interior do ser; em toda esta febre das vacilações, das decisões tomadas para sempre e dos arrependimentos que tornam a surgir um instante depois, em tudo isso é que consiste o sumo daquele estranho prazer de que falei.”
  • “Eu, por exemplo, triunfo sobre todos; todos, naturalmente, ficam reduzidos a nada e são forçados a reconhecer voluntariamente as minhas qualidades, e eu perdôo a todos.”
  • “Durante toda a vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele.”
  • “Penso até que a melhor definição do homem seja: um bípede ingrato. Mas isto ainda não é tudo, ainda não é o seu maior defeito; o seu maior defeito é a sua permanente imoralidade.”
  • ” Mas não é vergonhoso, não é humilhante!”Dir-me-eis talvez meneando a cabeça, com desprezo. “Tu tens sede de vida, mas queres resolver as questões vitais por meio de mal- entendidos lógicos. E que obstinação! Que imprudência com isso! Mas tens medo, apesar de tudo. Dizes inépcias, mas sentes-te feliz com elas. Dizes insolências, mas tens medo e te desculpas. Declaras que não receias ninguém, mas buscas as nossas boas graças. Tu nos asseguras que ranges os dentes, mas gracejas ao mesmo tempo, para nos fazer rir. Sabes que as tuas sentenças não valem nada […]. É possível que tenhas sofrido, mas não tens nenhum respeito pelo teu sofrimento. Há certas verdades em tuas palavras, mas falta-lhes pudor. Sob a ação da vaidade mais mesquinha, trazes a tua verdade para a praça pública, expõe-na no mercado, para alvo de chacota. Tens alguma coisa para dizer, mas o temor faz-te escamotear a última palavra, pois és insolente, mas não audaz. Gabas da tua consciência, mas não és capaz senão de hesitação, porque embora tua inteligência trabalhe, teu coração está emporcalhado pela libertinagem; ora, se o coração não é puro, a consciência não pode ser clarividente e nem completa. E como és importuno, como és molesto! Que palhaçada, a tua! Mentira tudo isso! Mentira! Mentira!”
  • “…tudo compreender, tudo ver e vê-lo muitas vezes, de modo incomparavelmente mais nítido do que o fazem todas as nossas inteligências mais positivas; não se conformar com nada e com ninguém, mas ao mesmo tempo, não desdenhar de nada…” Memórias do Subsolo da Editora 34
  • “Meu Deus, que tenho eu com as leis da natureza e com a aritmética, se, por algum motivo, não me agradam essas leis e o dois e dois são quatro? Está claro que não romperei esse muro com a testa, se realmente não tiver forças para fazê-lo, mas não me conformarei com ele unicamente pelo fato de ter pela frente um muro de pedra e de terem sido insuficientes as minhas forças.”
Dostoiévski em 1876.
Dostoiévski em 1876.

Crime e Castigo

  • ¨”E quanto mais bebo mais sinto as coisas. É por isso que bebo, porque na bebida encontro o sofrimento…. Bebo porque quero sofrer em dobro!”
  • “… o homem tem tudo nas mãos, e se deixa escapar tudo, é porque tem medo…”
  • “O que mais receamos é o que nos faz sair dos nossos hábitos.”
  • “As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde.”
  • “Bem, e se eu estiver enganado? […] Se de fato o homem, quero dizer, o gênero humano, não for canalha? Então tudo o mais não passa de preconceitos, tão somente espalhados para pôr medo.. então não há qualquer limite.. e é assim mesmo que deve ser!…”
  • “… a natureza corrige-se, emenda-se; se assim não fosse, ficava-se sempre amarrado a preconceitos. Sem isso, não haveria grandes homens.”
  • “O erro é uma coisa positiva, porque, por ele, chega-se a descobrir a verdade.”
  • “… para proceder com inteligência, a inteligência só não basta.”
  • “O sofrimento acompanha sempre uma inteligência elevada e um coração profundo. Os homens verdadeiramente grandes devem, parece-me, experimentar uma grande tristeza.”
  • “A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais. […] Mente, que vais acabar atingindo a verdade.”
  • “Se tenho agora tanto medo, que será quando for de verdade?”
  • “Ninguém se salva sozinho.”
  • “Quando é preciso, afogamos até o nosso senso moral, a liberdade, a tranquilidade, a consicência, até tudo, tudo, vendemos tudo por qualquer preço!”
  • “Bem, talvez as senhoras não acreditem, mas eles exigem que o indivíduo não tenha personalidade e acham que isso é o mais importante da vida! Uma pessoa não ser ela mesma, se parecer o menos possível consigo! É isso que eles consideram o cúmulo do progresso”.
  • “Na minha opinião, se as descobertas de Kepler e Newton, em virtude de circunstâncias especiais, não tivessem podido fazer-se conhecer senão mediante o sacrifício de uma, de dez, de cem ou mais vidas, que fossem obstáculos a essas descobertas, Newton teria tido o direito e até o dever de suprimir esses dez ou cem homens, a fim de que essas descobertas pudessem chegar ao conhecimento do mundo inteiro. O que, evidentemente, não quer dizer que Newton tivesse o direito de assassinar à vontade ou de ir todos os dias roubar no mercado”.

O Jogador

  • Dostoiévski após o exílio.
    Dostoiévski após o exílio.

    “Quantas coisas pode às vezes dizer o olhar de um homem tímido e doentiamente casto, precisamente no momento em que esse homem preferia sem dúvida meter a cabeça num buraco a manifestar, por uma palavra ou um gesto, o mínimo sentimento.”

– Dostoiévski, Fiodor. O Jogador. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo, 2010. Editora Martin Claret Ltda. Página 38

– Dostoiévski, Fiodor. O Jogador. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo, 2010. Editora Martin Claret Ltda. Página 52

  • “Nos processos criminais os advogados têm frequentemente justificado seus constituintes, alegando inconsciência no momento do crime, o que é, na opinião deles, simples caso de doença. E imagine só, meu general, que a medicina lhes dá razão. O médico e o advogado mancomunam-se para descbrir um louco sob a máscara de um assassino. Alegam existir de fato uma demência temporária, durante a qual o indivíduo perde, senão completamente, ao menos em grande parte, a memória.”

– Dostoiévski, Fiodor. O Jogador. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo, 2010. Editora Martin Claret Ltda. Página 58

  • “Às vezes, o pensamento mais estranho, mais impossível na aparência, apodera-se de nós com tal poder, que acabamos por julgá-lo realizável… Mais ainda: se a ideia se associa a um desejo violento, apaixonado, tomamo-la às vezes, no fim das contas, por algo fatal, inelutável, predestinado. Talvez haja aí, também, um não sei quê, uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordinário de vontade, uma intoxicação por sua própria fantasia…”

– Dostoiévski, Fiodor. O Jogador. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo, 2010. Editora Martin Claret Ltda. Página 130

  • “Agora, perguntava-me de novo: amo-a? Ou melhor, respondi-me novamente, pela centésima vez, que a detestava. Sim, odiava-a! Havia momentos (sobretudo depois das nossas conversas) em que teria dado metade da minha vida para estrangula-la! Juro-o. Se tivesse sido possível, ainda há momentos, cravar-lhe no peito um punhal bem afiado, julgo que o teria empenhado de boa vontade.”
  • “A situação mais simpática é aquela em que as pessoas não se envergonham umas das outras, mas agem franca e abertamente. E para quê enganar-se? É a mais vã e imprudente das ocupações.”
  • “Sabe, por exemplo, que a amo até a demência, permite-me até falar-lhe da minha paixão, e naturalmente, não haveria um meio de expressar mais intensamente o seu desprezo por mim do que com esta permissão de lhe falar do meu amor, sem qualquer obstáculo ou contenção.”
  • “Já sabe que me permito dizer tudo e, às vezes, faço perguntas muito francas. Repito sou seu escravo e não se tem vergonha de um escravo: o escravo não pode ofender a ninguém.”
  • “Com efeito, ela sabia que eu a amava de verdade; e ela mesma me permitia falar-lhe disso! É verdade que a coisa começara entre nós de modo um tanto estranho. Havia tempo, uns dois meses, começara eu a notar que ela queria fazer-me seu amigo e confidente, e que, em parte, já fazia tentativas nesse sentido. Mas, por um motivo qualquer, isso não prosseguira; pelo contrário, sobrevieram as nossas estranhas relações atuais; por isso mesmo, comecei a falar com ela daquele modo.”

Conto – O Sonho de um homem ridículo

  • Dostoiévski em 1863
    Dostoiévski em 1863

    ” Eu sou um homem ridículo. No momento dizem que estou louco. Seria um título excelente, se para eles eu não permanecese nada mais que ridículo. Mas de ora em diante eu não me zango mais, todo mundo é assas e gentil pra comigo, mesmo quando caçoa de mim, e, dir-se-ia, mas gentil ainda naquele momento. Eu riria de bom grado com eles, não tanto de mim mesmo quanto para lhes ser agradável, se não sentisse tal tristeza ao contemplá-los.

 

  • […] Adquiri cada vez mais a certeza de que, sob todos os pontos de vista, eu me mostrava uma personagem ridícula. Todo mundo zombou de mim, por toda a parte e sempre; mas ninguém podia desconfiar que, se havia alguém no mundo que soubesse melhor que todos os outros que eu era ridículo, esse homem era eu mesmo.[…]

 

  • Aqui em baixo tudo é sem importância. Suspeitava disso há muito tempo, mas adquiri de súbito a certeza plena e completa, senti bruscamente que me seria indiferente que o mundo existisse ou que nada houvesse em parte alguma. comecei a perceber e a sentir que, no fundo, nada mais existia para mim. Percebi nesse momento que nada existia anteriormente, ou antes, que nunca haveria nada. Parei então de me irritar com os homens e acabei quase não os notando mais. “

Os Demônios ou Os Possessos

“Chigalióv é um homem genial! Sabe, é um gênio como Fourier; Porém mais ousado que Fourier, mais forte que Fourier; vou cuidar dele. Ele inventou a “igualdade”! No esquema dele cada membro da sociedade vigia o outro e é obrigado a delatar. Cada um pertence a todos, e todos a cada um. Todos são escravos e iguais na escravidão. Nos casos extremos recorre-se a calúnia e ao assassinato, mas o principal é a igualdade. A primeira coisa que fazem é rebaixar o nível da educação, das ciências e dos talentos. O nível elevado das ciências e aptidões só é acessível aos talentos superiores, e os talentos superiores são dispensáveis! Os talentos superiores sempre tomaram o poder e foram déspotas, sempre trouxeram mais depravação do que utilidade; eles serão expulsos ou executados. A um Cícero corta-se a língua, a um Copérnico furam-se os olhos, um Shakespeare mata-se a pedradas — eis o chagaliovismo. Ah, ah, ah, está achando estranho? Sou a favor do chigaliovismo!”Piotr Stiepánovitch

  • “Existem amizades estranhas: um amigo chega quase a querer devorar o outro, os dois vivem a vida inteira assim, e no entanto não conseguem separar-se. Não encontram nem meio de separar-se: tomado de capricho e rompendo a relação, o primeiro adoece e talvez até morra se isso acontecer.”
  • “soube tocar o coração do seu amigo até atingir as cordas mais profundas e suscitar nele a primeira sensação, ainda indefinida, daquela melancolia eterna e sagrada que uma alma escolhida, uma vez tendo-a experimentado e conhecido, nunca mais trocaria por uma satisfação barata.”
  • — “Cheguei a uma conclusão.— “Qual?— “Que nós dois não somos as pessoas mais inteligentes do mundo e que há gente mais inteligente do que nós.— “Sutil e preciso.”
  • “O homem teme a morte porque ama a vida, e assim a natureza ordenou.”
  • “‘Se queres vencer o mundo inteiro, vence a ti mesmo’.”
  • “Há coisas sobre as quais não só não se pode falar com inteligência mas é até falta de inteligência falar sobre ela.”
  • “É como na religião: quanto pior vive um homem ou quanto mais desamparado ou mais pobre é todo um povo, mais obstinadamente ele sonha com a recompensa no paraíso!”
  • “Acontece que a mágoa verdadeira e indiscutível é às vezes capaz de tornar grave e resistente até um homem fenomenalmente fútil.”

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  • “Meu amigo, a verdade verdadeira é sempre inverossímil, você sabia? Para tornar a verdade mais verossímil, precisamos necessariamente adicionar-lhe a mentira.”
  • “Não há nada mais astuto que a própria cara, porque ninguém lhe dá crédito.”
  • “Há momentos, você chega a esses momentos, em que de repente o tempo pára e acontece a eternidade.”
  • “O homem é infeliz porque não sabe que é feliz, só por isso.”
  • “Coração é coração, mas nem por isso é preciso ser paspalhão.”
  • “Começo a não entender nada! […] Por que todo mundo espera de mim o que não espera dos outros? Por que tenho que suportar o que ninguém suporta e implorar por fardos que ninguém consegue suportar?”
  • “Sua idéia é sórdida e imoral e exprime toda a insignificância da sua evolução. Peço que não se dirija mais a mim.”
  • “Tenho consciência de que neste momento estou à la hauter de tout ce qu’il y a de plus sacré…”
  • “o homem mais sério pode fazer as perguntas mais surpreendentes.”
  • “Eu sou mesmo um palhaço, mas não quero que você, minha metade principal, seja um palhaço! Você me entende?”
  • “Se Deus existe, então toda a vontade é Dele, e fora da vontade Dele nada posso. Se não existe, então toda a vontade é minha e sou obrigado a proclamar o arbítrio.”
  • “Para mim não existe idéia superior à de que Deus não existe. Tenho atrás de mim a história da humanidade. O homem não tem feito outra coisa senão invetar um deus para viver, sem se matar; nisso tem consistido toda a história do mundo até hoje.”
  • “Aquilo era algo sublime, algo tão delicado que nós dois nunca chegamos sequer a nos declarar em toda a nossa vida.”
  • “É possível que você sonhe me dar tanto amor e derramar sobre mim tanto do belo e do maravilhoso que há em sua alma que espera assim colocar finalmente diante de mim um objetivo?”

dostoevsky

O Idiota

  • “Pode-se dizer tudo a uma criança — tudo.”
  • “Me consideram um idiota? Entro em algum lugar e penso: ‘Pois bem, me consideram um idiota, mas apesar de tudo eu sou inteligente e eles nem adivinham.'”
  • “Uma vez com dinheiro serei um homem original no supremo grau da palavra. O dinheiro é mais abjeto e precioso porque ele dá até talento. E continuará dando até a consumação do mundo.”
  • “Quando a gente mente, ou seja, coloca com astúcia alguma coisa que acontece com excessiva raridade ou nunca acontece, aí a mentira se torna muito mais verossímil.”
  • “A delicadeza e a dignidade é o próprio coração que ensina e não um mestre de dança.”
  • “É melhor ser infeliz, porém estar inteirado disso, do que ser feliz e viver sendo feito de idiota.”
  • “Livre arbítrio e o dinheiro, ou seja, com os dois objetos que distinguem cada um de nós de um quadrúpede.”
  • “Os criadores e os génios, no início da sua carreira, quase sempre, e muitas vezes até no fim, sempre foram considerados pela sociedade como uns parvos e uns malucos — é esta uma das observações mais triviais e sabidas.”
  • Anna, a segunda esposa.
    Anna, a segunda esposa.

    “Existe intelecto, mas não com ideias próprias; existe coração, mas são pouco generosos; e assim por diante, em todos os sentidos. Há inúmeras pessoas assim, mais ainda do que parece. Dividem-se em duas categorias principais: as limitadas e as mais espertas. As primeiras são as mais felizes. É mais simples para uma pessoa se sentir vulgar em vez de se julgar extraordinária e original e com isso se lisonjear a si própria sem vergonha. Bastaria a algumas das nossas meninas cortar o cabelo e colocarem uns óculos azuis e catalogarem-se de niilistas para se convencerem imediatamente que, ao porem os óculos, começaram a ter logo as suas próprias convicções. […] Gavrila pertencia à segunda categoria: a das mais espertas, embora todo ele estivesse contaminado pela ânsia da originalidade. Ora esta categoria como referi mais acima, é bastante mais infeliz do que a dos limitados.”

  • ”Parece-me que quando a morte está prestes a acontecer, quando uma casa vai desabar por cima de alguém, por exemplo, há a vontade terrível de se sentar e fechar os olhos, e esperar — seja o que for!… […] É estranho que nesses últimos momentos as pessoas raramente desmaiem. […] Talvez tenham pensamentos ridículos, despropositados: «Aquele que está ali a olhar tem uma verruga na testa».“[…] Quando a cabeça já está no cepo, ele espera, e… sabe, e de repente ouvirá por cima de si o deslizar da lâmina. Eu, se estivesse lá deitado, pôr-me-ia de propósito à escuta e ouviria. […] E imagine que até hoje se discute a hipótese de que a cabeça, se calhar, mesmo quando cai sabe, ainda por um segundo, que caiu.”
  • “De fato, não existe nada mais deplorável do que, por exemplo, ser rico, de boa família, de boa aparência, de instrução regular, não tolo, até bom, e ao mesmo tempo não ter nenhum talento, nenhuma peculiaridade, inclusive nenhuma esquisitice, nenhuma idéia própria, ser terminantemente como todo mundo.”
  • “A falta de originalidade existem em toda parte, em todo mundo, desde que o mundo é mundo sempre foi considerada a primeira qualidade e a melhor recomendação do homem de ação e prático, pelo menos noventa e nove de cada cem pessoas sempre sustentavam essas idéias e só uma em cada cem via sempre e continua a ver a coisa de modo diferente. Os inventores e os gênios, no início de sua trajetória (e muitas vezes no final), não eram vistos quase sempre pela sociedade senão como imbecis.”
  • “E não me assustem com o vosso bem estar, com vossas riquezas, com a raridade da fome e a rapidez das vias de comuicação! Há riquezas porém menos força; não resta mais uma idéia agregadora; tudo amoleceu, tudo mofou e vai mofar! Todos nós mofaremos.”
  • “Escrevo algumas palavras ainda me recuperando do impacto que me causou a leitura.”

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Os Irmãos Karamazóv

  • “O amor é mestre, mas é preciso saber adquirí-lo, porque se adquire dificilmente, ao preço de um esforço prolongado; é preciso amar, de fato, não por um instante, mas até o fim.”
  • “A perversidade deve não somente ser autorizada, mas reconhecida como a saída mais razoável de cada ateu.”
  • “Eu penso que se o Diabo não existe e foi simplesmente criado pelo homem, este fez à sua imagem e semelhança.”
  • “A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam.”
  • “Com a força que sinto em mim, creio-me capaz de suportar todos os sofrimentos, contanto que me possa dizer a cada instante: “Eu existo”. Entre tormentos, crispado pela tortura, mas existo! Exposto ao pelourinho, eu existo apesar de tudo, vejo o sol e, se não o vejo, sei que está lá. E saber isso já é toda a vida.”
  • “Quanto mais gosto da humanidade em geral, menos aprecio as pessoas em particular, como indivíduos.”

Fiódor Dostoiévski in: Os Irmãos Karamazov – capítulo 9

Fonte das Citações: Wikiquote

Fontes Biográficas: Wikiwand

Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski, fotografado em 1879.
Fiódor Dostoiévski, fotografado em 1879.
Nome completo Фёдор Миха́йлович Достое́вский
Nascimento 11 de novembro de 1821
Moscou
Morte 9 de fevereiro de 1881 (59 anos)
São Petersburgo
Nacionalidade Rússia Rússia
Ocupação Escritor
Influências
Influenciados
Principais trabalhos Crime e Castigo
Os Irmãos Karamazov
O Idiota
O jogador
Religião Igreja Ortodoxa Russa
Assinatura
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